Simplesmente Vinho, muito mais que um evento vínico

 

O passado fim de semana foi pródigo para aqueles que têm no vinho a sua grande paixão. Se a Essência do Vinho é já um acontecimento anual que à cidade do Porto atrai milhares de pessoas, paralelamente decorre o Simplesmente Vinho, um evento de cariz alternativo que aposta nos pequenos produtores e que contou com uma oferta vínica diferenciada, com mais de 50% dos vinhos presentes de produção "natural" (assumindo uma definição simplificada e alargada do conceito), segundo informações da organização.



O espírito alternativo é bem visível em tudo o que envolve o evento, com os vinhos a poderem ser apreciados ao mesmo tempo que se vê um concerto ou simplesmente se contemplam as pinturas expostas por todo o local, da autoria de diferentes artistas plásticos. E porque vinho, acompanhado por um bom repasto é elevado a um outro patamar, este ano marcaram presença três restaurantes: DOP (Rui Paula), Delicatum (Joana Vieira e André Antunes Braga) e ainda Carvão (de Miguel Morais).


No primeiro dia, e depois do evento, alguns produtores juntaram-se a Luís Américo, no seu Typographia Progresso, num jantar pop-up organizado pelo SV. É das propostas gastronómicas desse mesmo jantar que aqui falaremos - deixamos a conversa sobre os vinhos para os especialistas que por lá também estiveram.

Foi tarde e a más horas que o jantar começou, já que muitos daqueles que aí viriam a marcar presença alongaram-se pelo Museu do Vinho do Porto (local onde decorreu o evento), entre copos e conversas numa tarde/noite bem animada. Desculpou-se a delonga.

No couvert, o destaque vai para a incrível salada de torresmos, de tal forma viciante que depois de a meter à boca foi difícil parar - nem para a foto!

 

Seguiu-se uma inusitada proposta que teve o mérito de deixar os convivas a dela falarem. Feijoada brasileira, bem carregada de cominhos (algo que este que vos escreve adora) com... bacalhau. Ambos concretizados a preceito, com o bacalhau de boa lasca e sabor. A dúvida prende-se com a combinação de ambos. Porque valorizo o risco e aprecio propostas pouco óbvias, ainda hoje me questiono, com um leve sorriso, sobre o que terá passado pela cabeça do chef Luís Américo para idealizar esta combinação. 


Se os pratos não apresentavam grande complexidade técnica,  já as combinações de sabores e produtos presentes foram sem dúvida ousadas e pouco óbvias. Também neste prato assim aconteceu, com uma mistura de ingredientes fora da caixa. Desta vez não houve dúvidas, o resultado foi surpreendente. Moqueca de tubarão (pata roxa do Algarve) com... tripas!

Ora pois, na cidade do Porto elas não poderiam faltar, mas... com peixe? Creio que tal nunca tinha provado e - só por si - já este prato teria valido a pena. O melhor de tudo é que que este "terra e mar" resultou na perfeição, ajudado pelo delicioso molho da moqueca, de travo doce e guloso, que, ajudado pelo arroz basmati, era bem apreciado. Uma proposta que deveria constar no menu do restaurante (ainda que, imagino, não seja fácil de - apenas pela descrição - cativar o comensal). 


O jantar decorria com o anfitrião, João Roseira, a convidar  entre pratos  os produtores presentes, para que se apresentassem e dessem a conhecer um pouco melhor os vinhos que, com a comida, dividiam a atenção dos presentes.


A adoçar o final da refeição, Luís Américo serviu toucinho do céu com morangos, em que o sabor doce do coulis do fruto contrastava com as notas de acidez que caracterizam o "morango de Inverno".

Um final de primeiro dia em grande, com o Simplesmente Vinho a relelar-se como mais do que um mero evento vínico - uma verdadeira festa onde se partilham os mais variados prazeres.

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